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O Blog do Bega

Sobral, onde a luz fez a curva.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A invenção da camiseta


     A camiseta é, sem dúvida, a peça de vestuário mais popular no mundo inteiro. Com uma imensa variedade de estilos, cores e tamanhos, há literalmente uma camiseta para cada pessoa. Mas de onde essa peça icônica surgiu e como ela se tornou tão popular?
     As camisetas são uma adição relativamente nova para nossos guarda-roupas coletivos e só se tornaram peças de roupas aceitáveis há cerca de meio século. Por mais que a vestimenta em si exista em uma forma reconhecível (com mangas mais curtas e golas mais amplas) desde o começo do século 20, ela era quase que universalmente usada como roupa de baixo e raramente, ou nunca, usada em público.
     Então de onde vieram as camisetas? Acredita-se que elas evoluíram de roupas íntimas tudo-em-um feitas de flanela vermelha que eram populares entre operários no século 19. Essas vestimentas, conhecidas como “union suit“, foram patenteadas em 1868 em Nova York e eram baseadas em roupas íntimas parecidas, populares entre mulheres na era Vitoriana. A versão masculina era ótima em manter homens aquecidos, mas não servia para nada durante o verão, a não ser que fossem cortadas pela metade, o que muitos operários faziam. Ao fazer isso, eles criaram a parte superior do que muitos de nós conhecem hoje como “ceroulas”, uma vestimenta semelhante que consiste em duas peças separadas de roupas íntimas.
     As ceroulas em si existem desde o século 17, quando eram bastante populares entre operários e pobres, mas se tornaram mais importantes durante a Era Vitoriana, junto com as Union Suits, quando serviam para que as mulheres mantivessem suas cinturas finas, ao usar menos camadas de roupas em torno da cintura, ao mesmo tempo que mantinham o corpo delas aquecido. Diferentemente das Union Suits, que desde então se tornaram motivo de piada (principalmente devido ao fato delas terem uma abertura na bunda), as ceroulas não perderam muita popularidade e continuam mantendo pessoas aquecidas até hoje.
     Em algum momento do século 19, as pessoas que faziam essas vestimentas começaram a experimentar tecidos diferentes e outros formatos para tornar o produto mais confortável. Isso resultou na criação de camisas de baixo sem botões, feitas de lã e algodão, cujo colarinho você podia esticar com a cabeça sem que ele ficasse destruído rapidamente.
     Apesar da data exata da invenção desses chamados pulôveres, assim como quando os trabalhadores começaram a usá-los, seja desconhecido, sabemos que eles não eram considerados algo a ser usado no dia a dia sem outra peça de roupa por cima. Havia até mesmo leis nos anos 1890 em lugares como Havana que diziam que era ilegal usar essas peças de roupa sozinhas em público.
     O destino do que se tornaria camiseta começou a mudar em 1904, quando a Cooper Underwear Company começou a promover a solteiros o que ela chamou de “camisas interiores de solteiro”. O objetivo era vender a ideia de que uma única peça de tecido sem botões seria mais durável do que as com botões, além de exigir menos manutenção.
     Por que isso foi importante para a história das camisetas? Porque logo depois disso, a Marinha dos EUA, que empregava muitos solteiros com habilidades limitadas de costura, oficialmente incorporou as camisas interiores sem botões ao seu uniforme.
     De acordo com as Regulamentações de Uniforme da Marinha dos EUA de 1905, a camisa interior de algodão era exatamente isso – uma camisa para ser usada por baixo do uniforme do marinheiro. Para não dizer que não havia exceções: de acordo com a regulamentação, os marinheiros podiam usar uma camisa interior leve de algodão “de padrão idêntico” em climas quentes a critério dos seus comandantes, enquanto os marinheiros que trabalhavam em máquinas eram autorizados a usar a camiseta improvisada para se sentirem mais confortáveis, se assim preferissem.
     Essa camisa interior ganhou popularidade no Exército dos EUA alguns anos depois durante a Primeira Guerra Mundial, sendo usada por soldados, e muitos deles levaram o jeito de se vestir para casa.
     Pouco após o fim da guerra, o autor F. Scott Fitzgerald se tornou a primeira pessoa conhecida a usar a palavra “camiseta” (ou t-shirt, em inglês), em seu romance Este Lado do Paraíso, como um dos itens que o personagem principal leva para a universidade. E, de fato, uma mudança bem pequena no design das camisetas antigas veio das universidades, com a invenção da camiseta com gola arredondada em vez de colarinho. Isso ocorreu em 1932 e foi feito pelo Jockey International Inc a pedido da Universidade do Sul da Califórnia, que queria uma vestimenta mais leve e absorvente para jogadores de futebol americano usarem por baixo dos uniformes para evitar fricção e atrito das proteções. A camiseta resultante se tornou incrivelmente popular entre os jogadores e não demorou muito até estudantes começarem a usá-la.
     Quando a Segunda Guerra Mundial começou, a camiseta “moderna” já era comum em escolas e universidades pelos EUA, mas não era onipresente e ainda era usada por adultos, por exemplo, como uma camisa interior. Existiam algumas exceções, claro; por exemplo: trabalhadores de ambientes quentes, como fazendeiros. O que fez com que elas se tornassem populares entre todos foi o fim da guerra, quando os soldados voltaram para casa e começaram a incorporar a vestimenta ao guarda-roupa tradicional, da mesma forma como faziam durante a guerra.
     A popularidade das camisetas como vestimentas externas aumentou graças a Marlon Brando e seu papel de Stanley Kowalski em Um Bonde Chamado Desejo, que mostrava Brando usando uma camiseta apertada. A atuação incrível de Brando tanto na peça quanto no filme de 1951 fez com que as vendas de camisetas disparassem nos EUA, provando ao mundo que elas poderiam ser usadas no cotidiano.
     Não demorou muito para perceberem o potencial de marketing dessas vestimentas aparentemente simples, e logo muitas empresas passaram a colocar estampas nas camisetas. E o resto, como dizem, é história.
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